Assembleia de Pastoral – O que ter em conta? (parte II)

Em vista à nossa Assembleia Pastoral, ocasião em que faremos as escolhas a serem priorizadas no trabalho em nossa Diocese, já apresentei anteriormente os aspectos que se destacaram nas assembleias realizadas nas foranias: família, juventude, catequese e formação (permanente), serviço da caridade, missionariedade e acolhida. Estas foram indicações que vieram de nossa realidade diocesana; porém, é necessário que também tenhamos em conta as indicações dadas pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023). Essas Diretrizes, ao tomar em consideração a imagem da casa (lugar de convivência da Família de Deus), apresentam quatro pilares que a mantém: 1º pilar- a Palavra de Deus, que sustenta a iniciação à vida cristã e a animação bíblica de toda pastoral; 2º pilar- o Pão, símbolo do alimento da família de Deus, a liturgia e a espiritualidade; 3º pilar- a Caridade como serviço à vida plena; 4º pilar- Missionariedade ou estado permanente de missão. Esses são os pilares que mantém a casa da Família de Deus.

A Palavra de Deus é a base da vida de fé. É pela ação do Espírito Santo e pela Palavra anunciada que a fé é gerada e a partir dela a vida cristã. Não pode existir vida cristã sem escuta e reflexão da Palavra de Deus. Só podemos seguir o Senhor e viver como cristãos se dermos atenção à sua Palavra. Todo trabalho realizado pela Igreja, para que seja pastoral e evangelizador deve ser continuamente orientado pela Palavra de Deus. Por isso se fala em animação bíblica de toda pastoral. Se faltar essa atitude, nossa atividade não se diferenciará da ação de tantas associações ou ONGs que existem. Qualquer que sejam nossas escolhas pastorais, elas terão que ser continuamente orientadas pela Palavra de Deus.

O segundo pilar que mantém a casa da Família de Deus é o alimento, simbolizado pelo pão. Para a Família de Deus o alimento é a liturgia e a espiritualidade. A liturgia é o termo genérico que indica, sobretudo, a celebração dos Sacramentos, dentre os quais se destacam a Reconciliação e a Eucaristia. Os Sacramentos nutrem a fé da Igreja, são alimento que lhe dão vigor, pois nos unem a nosso Senhor e, por consequência, exigem que conformemos nosso agir ao dEle. A Espiritualidade, por sua vez, fortalece o cristão porque é atitude de quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo de Deus. Existe uma concepção equivocada de espiritualidade que se limita à práticas espirituais muitas vezes alienadas da vida. A espiritualidade verdadeiramente cristã é a que dá consistência à vida do cristão, fazendo-o mover-se pela ação do Espírito Santo e, assim, buscando realizar a vontade de Deus em todos os aspectos da vida. Assim, a Liturgia dos Sacramentos e a Espiritualidade são alimentos da vida cristã.

O cristão que se orienta pela Palavra do Senhor, é fortalecido pelos Sacramentos e pela Espiritualidade, em princípio, está capacitado a viver a caridade. A caridade é sinônimo de amor e este é outro pilar que mantém a Igreja de Cristo. O amor é o maior mandamento dos cristãos. O amor, ou caridade, caracteriza-se pela capacidade de viver pelo bem e pela felicidade do outro. É justamente o oposto do egoísmo, que consiste em viver voltado para si mesmo. O amor é a capacidade de renunciar a si mesmo para dedicar-se ao outro a fim de que tenha vida plena. Nesse sentido é desenvolvido todo trabalho que tem por objetivo a promoção e a defesa da vida em todas as suas dimensões. O verdadeiro amor, que se espelha no amor de Cristo, jamais passa e se constitui como pilar que mantém a Igreja.

Outro pilar é a missionariedade ou estado permanente de missão; isso é mais que ações missionárias promovidas esporadicamente como as realizadas em bairros ou condomínios, dia ou mês de missão, visita às casas, e outros trabalhos do tipo. Toda atividade eclesial, todo movimento, grupo, associação, paróquia, diocese devem manter a atenção voltada para aqueles que ainda não são atingidos por nossa ação, que não foram conquistados para Cristo ou que não foram suficientemente evangelizados. Nesse sentido a missionariedade é reconhecida como força que renova a Igreja, que a faz dinâmica e cumpridora do encargo que recebeu de seu Senhor. É esta a ação do Espírito Santo na Igreja.
Por escolha das Paróquias e das Foranias, levaremos para nossa Assembleia Diocesana as indicações: família, juventude, catequese e formação permanente, acolhida, missionariedade e serviço da caridade. Além de definir quais delas vamos priorizar, também definiremos ações concretas a serem desenvolvidas, tendo por suporte os quatro pilares que dão sustentação à casa da Família de Deus. Refletir sobre essa articulação é incumbência sobretudo dos leigos, religiosos e clérigos que participarão de nossa Assembleia Diocesana de Pastoral.

Dom Wilson Angotti

 

Texto publicado no Jornal O Lábaro – edição de novembro de 2019