Paróquia São Luís de Tolosa – São Luiz do Paraitinga

São Luis de Tolosa

Localizada no Centro Histórico de São Luiz do Paraitinga, a Igreja Matriz sofreu com a grande enchente em Janeiro de 2010.

Depois de quatro anos de espera, finalmente o povo de São Luiz do Paraitinga pode entrar, novamente, na Igreja Matriz de São Luis de Tolosa. Reinaugurada a tempo para a tradicional Festa do Divino, o evento foi esperado com grande expectativa. A nova Igreja Matriz é um símbolo da reconstrução da cidade e da recuperação de sua identidade. Os luizenses tiveram participação importante na elaboração do projeto. Consultados por meio de audiência pública, os moradores quiseram que a nova igreja fosse reconstruída para ficar igual a antiga. Não queriam um templo moderno. “A igreja que vemos hoje reconstruída é a mesma igreja que está na memória do povo”, explicou Eduardo de Oliveira Coelho, diretor de turismo da prefeitura de São Luiz do Paraitinga, em entrevista para o portal A12, ligado à TV Aparecida.

A enchente

Foi uma comoção que atravessou toda a Diocese de Taubaté naquele fatídico 2 de janeiro de 2010. Assistir no Youtube, quase em tempo real, e depois nos telejornais, vendo a torre do sino da Igreja Matriz de São Luiz do Praitinga cair, mergulhando num redemoinho de água e entulho que cobria por completo a praça central da cidade, foi um choque.

Desde a passagem do ano, já se ouviam notícias alarmantes daquela enchente terrível. A casa de muitos conhecidos, agentes que atuavam na Paróquia e em pastorais da Diocese, assim como a casa de familiares de padres luizenses, estavam sendo invadidas pelas águas do Rio Paraitinga. Estavam desabrigados. E a água não parava de subir, atingindo a marca dos 15 metros de altura. Foi assim que a quase bicentenária Igreja Matriz de São Luis de Tolosa foi atingida, quase à altura dos 2 metros, por uma enxurrada de água suja e detritos vindos das casas desabadas em seu entorno.

Aquele foi um dia triste não apenas para São Luiz, como também para toda a Diocese de Taubaté, a qual perdia um de seus mais preciosos patrimônios cultural, histórico, artístico e religioso.

A reconstrução

Os trabalhos de reconstrução da Igreja Matriz começaram assim que a água baixou. O primeiro passo foi a recuperação, em meio aos escombros, daquilo que sobrou da catástrofe. Cinco dias depois, foi encontrada uma das duas imagens do padroeiro. A luz começava a brilhar novamente para o povo luizense, ainda que em meio a nuvens ainda carregadas.

Desde 2003 havia um projeto de restauração do templo histórico, aprovado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Esse projeto foi realizado pela arquiteta Lívia Vierno, contradada pela Mitra Diocesana de Taubaté para esse fim. O projeto recolhia o trabalho de pesquisa detalhada sobre as características da Igreja Matriz, como desenho arquitetônico, peças históricas, pintura do teto e paredes, imagens e muitos outros. Apesar de registrado no PRONAC (Programa Nacional de Apoio à Cultura), o projeto ficou engavetado por sete anos a espera de recursos financeiros. As empresas procuradas na época alegaram pouca visibilidade de São Luiz do Paraitinga e se recusaram a investir no restauro de sua Igreja Matriz, apesar de sua qualidade artística, importância arquitetônica e histórica. Segundo depoimento de Lívia Vierno a O Lábaro foi preciso a tragédia de 2010 para comover autoridades públicas, políticos e empresários, para recuperar o patrimônio luizense que, antes mesmo da enchente, estav
a sendo corroído pelo tempo. Elemento impulsionador de tamanha comoção, sem dúvidas, foi a presença de São Luiz Paraitinga na grande mídia, tornada, agora, visível por causa de sua desgraça.

No início de 2012, um novo projeto arquitetônico apresentado pela Mitra Diocesana de Taubaté foi aprovado pelo IPHAN e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). Com isso, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo firmou convênio com a Mitra Diocesana liberando a verba para início das obras. Foram nomeados como gestores do fundo o Côn. Geraldo Carlos da Silva e Liliam Mansur, da Fundação Dom José Antonio do Couto. Aprovado com ressalvas, o projeto deveria considerar os remanescentes. Para projeto final de execução foi contratada pela Mitra de Taubaté a FormArte, empresa especializada em projetos culturais indicada pela Arquidiocese de São Paulo.

Orçada inicialmente em 13 milhões, a obra toda custou pouco mais de 17 milhões de reais. A maior parte dos recursos veio do Estado de São Paulo. A grande estrutura erguida sobre a obra, protegendo os trabalhos e o que sobrara do desabamento foi um presente do IPHAN, segundo informa Lívia Vierno. O instituto também restaurou as imagens e altares da igreja.

A nova Igreja Matriz manteve todas as características originais da igreja antiga. Apesar disso, a nova construção, permitiu adaptações físicas para a acessibilidade de pessoas com deficiência, além de novas instalações elétricas e hidráulicas, implantação de combate a incêndio e infraestrutura para áudio e vídeo. Toda comodidade, conforto e sistema de segurança que a modernidade pode oferecer foram incluídas no projeto de reconstrução. Fiéis e visitantes, porém, terão sempre a oportunidade de observar pedaços de paredes feitas de taipa de pilão, que foram mantidas para que haja uma comparação entre a estrutura de quase 200 anos e a nova igreja.

Quatro anos de trabalho enfrentando dificuldades

Foram quatro anos de obras, enfrentando dificuldades. A primeira, ainda no começo, foi chegar a um consenso sobre o estilo da nova igreja. Para uns, principalmente peritos e historiadores, reconstruir a original, tal como era, seria falsear a história. Para esses, o certo seria fazer um novo templo, com arquitetura contemporânea, que atendesse as necessidades atuais. Outros opinavam que era preciso reconstruir a anterior, erguer uma réplica da igreja que foi destruída pela enchente. Segundo essa opinião, tratava-se de levantar a autoestima do povo luizense, de recuperar um elemento essencial de sua cultura. O debate durou mais de um ano. Por fim, venceu a vontade dos paroquianos e dos cidadãos luizenses, incluindo não católicos, todos favoráveis à réplica da original. Esse clamor popular está registrado em um abaixo assinado e um ofício da Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga dirigidos ao Bispo Diocesano de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden.

Com a obra em andamento, o projeto deve de passar por algumas readequações, devidas principalmente, às novas descobertas arqueológicas feitas no canteiro de obras. Outra dificuldade veio do processo trabalhoso em reconstruir a parte externa da Matriz. Grande desafio foi concluir a parte de ornamentos e os acabamentos que reproduzissem fielmente as características do templo antigo. Detalhes da igreja foram refeitos com argamassa e molduras. Tudo isso impediu que obra fosse entregue no prazo previsto.

Enfim, o dia feliz da reinauguração

O povo de São Luiz do Paraitinga ansiava por poder celebrar naquele lugar, onde por quase dois séculos, os fiéis manifestavam sua devoção. Havia mesmo quem quisesse celebrar seu casamento, ainda em meio às ruínas, tal era o significado daquele espaço onde antes se erguia a imponente Igreja Matriz, símbolo maior da fé e da identidade do povo luizense. Evidentemente isso não foi permitido, por causa da segurança. Era um canteiro de obras.

O dia 16 de maio amanheceu diferente em São Luiz do Paraitinga. Alegria e expectativa eram sentimentos vividos por todos. Afinal, depois de quatro anos de espera, a Igreja Matriz de São Luis de Tolosa seria reinaugurada e aberta aos fiéis. Para a inauguração da réplica estiveram presentes o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin Filho, o Bispo Diocesano Dom Carmo, o atual prefeito de São Luiz do Paraitinga, Alex Torres e várias outras autoridades, assim como os que trabalharam na realização da obra. Era o dia do aniversário de Dom Carmo que, ao lado do governador e do prefeito, desatou a fita abrindo oficialmente a nova Igreja Matriz. No dia seguinte, o bispo celebrou a primeira missa no seu interior.

“Um milagre de São Luis”, dizia o povo, emocionado, vendo os sacerdotes de volta ao altar, celebrando a primeira Missa depois de quatro anos sem missa na Igreja Matriz de São Luis de Tolosa. Às 10h do sábado, 17, Dom Carmo, acompanhado por muitos padres da Diocese, entre eles, o Pe. Álvaro Mantovani (Pe. Tequinho), atual pároco, entrou solenemente, em procissão, pelo corredor central da nova Igreja Matriz. O bispo, durante a celebração consagrou o altar e abençoou o novo sacrário e a nova igreja. O povo de São Luiz do Paraitinga, depois dessa celebração, tem de novo, o seu tradicional templo, para celebrar sua devoção ao Divino Espírito Santo e entoar hinos ao seu padroeiro, São Luis de Tolosa. Deus seja louvado!

Em pânico, a gente via a água aparecendo de todos os lados, inundando a praça, invadindo as casas.

Em depoimento a O Lábaro, Pe. Celso Luiz Longo, luizense que cresceu frequentando a Igreja Matriz, onde foi coroinha, falou da sua tristeza de não ter sido ordenado padre na antiga igreja. Ele falou do pavor vivido pelos luizenses nos dias da enchente, no início de 2010. A chuva havia caído torrencialmente durante todo o mês de dezembro. O rio Paraitinga subia, mas isso já era esperado, acontecia todos os anos, na época das chuvas de verão. O que os habitantes da cidade não esperavam era que a água subisse sem parar, mesmo depois de a chuva ter cessado. Com horror, às14h do dia primeiro, viram a água atingir as casas próximas às margens do rio. Ao final da tarde haviam tantos desabrigados, que o pároco de então, Pe. Edson Carlos Alves Rodrigues, o Pe. Edinho, atendendo pedido da prefeita Ana Lucia Bilard Chichele, suspendeu a missa da noite e abriu a igreja para abrigar os que tinham sido expulsos de suas casas pelas águas do Paraitinga. Pe. Edinho levou o Santíssimo Sacramento para a Casa Paroquial e a nave
central da Igreja Matriz foi separada em dois setores para acolher, os homens numa parte e as mulheres noutra. Mas a água não parava de subir. A situação piorou quando, à meia noite, acabou a energia elétrica e a cidade mergulhou na escuridão. Sob a luz pálida do luar, aterrorizados, a população viu as primeiras casas desabarem, arrastadas pelas águas lamacentas, agora cheias do entulho dos escombros.

O dilúvio sobreveio inevitável. Na manhã do dia seguinte, a água atingiu 15 metros acima do nível normal do rio. Àquela altura, a água chegava quase os dois metros de altura na Igreja Matriz que, durante a noite, tinha servido de abrigo para várias famílias. Por volta das 9h30min, na manhã do dia 2, a torre do lado esquerdo da Igreja e todo o seu frontal desabaram. A queda provocou tanta agitação na água que cobria a praça central da cidade, em frente à Igreja que as casas do lado esquerdo dela não resistiram e foram derrubadas. No final daquela manhã, a torre do sino caiu também, mergulhando num redemoinho de água turva e cheia de destroços. Quase instantaneamente, essa cena correu o Brasil e o mundo, pela internet e foi exibida nos telejornais.

Em seu testemunho, Pe. Celso conta que, à época, ao ver a Igreja desabar, em pânico, todo o povo começou a chorar, mesmo os que não eram católicos. O dia 3 de janeiro, um domingo, pela primeira vez, São Luiz não teve celebração da missa. Uma completa desolação, conta Pe. Celso, ver a água e escombros cobrindo o lugar onde antes estava erguida a majestosa Igreja Matriz de São Luis de Tolosa. Enfim, a água começou a baixar. Nos dias seguintes, com horror, os luizenses viram os escombros das casas e o monte de entulhos em que havia se transformado a Igreja Matriz, construída no Século XIX. Cena que mais marcou o jovem seminarista foi ver uma geladeira pendurada, presa aos fios da rede elétrica.

Na quarta-feira, 6, foi encontrada, em meio aos escombros, uma das imagens do padroeiro. A imagem, sem os pés e mãos, foi levada para o pároco, na Casa Paroquial. Na quinta-feira, 7, de manhã, Pe. Edinho celebrou a primeira missa depois da enchente, em frente à Igreja do Rosário, ao lado da Casa Paroquial. Quando a imagem de São Luis foi mostrada, o povo cantou o hino do seu padroeiro numa espontânea demonstração de fé e amor. Pe. Celso recorda das palavras que disse, ao final daquela celebração, buscando confortar aquela gente desamparada: “imagem que está sem os pés para nos ensinar: luizenses é preciso andar por outros caminhos”.

FONTE: O Lábaro

 

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Matriz: São Luiz de Tolosa

Domingo: 8h – 10h30 – 19h

Pároco: Padre Álvaro Mantovani (Padre Tequinho)

Vigário Paroquial: Padre Cleiton Willian Rodrigues