Santa Maria Madalena

Em seu livro de ficção policial, O código Da Vinci, Dan Brown faz uma afirmação infame dizendo que a Igreja negligencia Maria Madalena. Segundo o autor, ela não recebe devoção, sendo excluída do calendário dos santos e impedida de ter seu nome aplicado a um templo católico. Tudo polêmica com fins comerciais. Desde tempos antigos, a Igreja Católica comemora Santa Maria Madalena no dia 22 de julho. Seu nome está inscrito oficialmente na ladainha de todos os santos. Muitas igrejas a tem por padroeira, inclusive em Roma, próximo à Praça Navona. No Brasil, até mesmo uma cidade, no Estado do Rio de Janeiro, leva o seu nome.

Maria Madalena foi a fiel discípula que seguia o Mestre desde a Galiléia até a Judéia. Junto com muitas outras mulheres, ela auxiliava a missão de Jesus partilhando de seus bens (cf. Lc 8,2-3). Os evangelhos a apresenta ao lado de Maria, a Mãe de Jesus, junto à cruz, compartilhando as dores da crucificação e a morte e o sepultamento do Filho (cf. Mt 27,56; Mc 15,40; Jo 19,25). É ela também quem permanece em vigília amorosa na madrugada do domingo da ressurreição. Ela foi a primeira a correr ao sepulcro (cf. Jo 20,1). Aquela que, em seu ardente amor, foi premiada pelo Ressuscitado confiando-lhe o grande anúncio da ressurreição: “Vai a meus irmãos e dize-lhes: subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17). Em Lucas 8,2, pela primeira vez, se fala de uma “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios”. Não há, porém, qualquer fundamento bíblico para considerá-la como a prostituta arrependida dos pecados que pediu perdão a Cristo (cf. Lc 7,36-50). Não há também, nos evangelhos, nenhuma menção de que tenha sido prostituta. Segundo uma antiga tradição grega, Maria Madalena teria ido viver em Éfeso junto à Mãe de Jesus e ao apóstolo João.

O Papa São Gregório Magno comenta que Santa Maria Madalena amava tanto o Senhor que não se afastava do sepulcro, chorando, sentia saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por isso, somente ela o viu, porque somente ela perseverara. Ele a compara a Davi, quando no Salmo diz: Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo (Sl 41,3). Ao reconhecer Jesus, imediatamente o coloca acima, chamando-o Mestre. O termo empregado por ela, “Rabuni”, é mais solene que o habitual “Rabi”, e é usado principalmente quando se refere a Deus, da mesma maneira que o faz, por exemplo, São Tomé.

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