O sujeito da Celebração

Quero começar este artigo com um sentimento que me ocorreu após participar de uma celebração na Igreja Ortodoxa. Meu sentimento é: Amo a Igreja, amo ser Cristão.

Digo isto, porque cada vez mais, fico maravilhado com os diversos ritos existentes na Igreja, as diversas expressões de fé, as diversas maneiras de buscar entender o Mistério Pascal de Cristo.

Participando de um curso em São Paulo e passando pelas ruas da capital me perguntava: Quantas pessoas se dirigem neste momento a uma Igreja? Quantas pessoas buscam em Deus o sustento espiritual, a coragem para vencer as dificuldades, querem senti-lo, agradece-lo pelas maravilhas operadas, querem de uma forma ou de outra manifestar a sua crença. Lembro ainda do Povo do Antigo Testamento que peregrinava aos grandes santuários, subia até o cume das montanhas para lá, saciarem a sua sede.

Sim, a Igreja é fantástica. Você poderia me perguntar mas porque? Quais as razões?

Primeiro, porque adentramos a ela pelo Sacramento do Batismo, fonte de vida, ou seja, basta olharmos o batismo de Jesus, no qual se afirma: “sendo o Cristo batizado no Jordão, e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declaraste solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor” (cf. Oração da Coleta – Batismo do Senhor).

A partir do Batismo, somos inseridos no Corpo Místico de Cristo, passamos a fazer parte do grande Povo Sacerdotal, dos membros que exercem suas funções, ‘aquilo que lhe cabe”, nas celebrações, sustentando em todos o desejo de se prepararem para a vinda do Esposo-Cristo.

As celebrações acabam sendo a maior manifestação desta Igreja Visível, da Igreja Esposa do Cordeiro. Cada um pelo seu batismo é chamado a sentir-se parte integrante, não mais um, mas membro ativo, com uma participação ativa, consciente e frutuosa.

A 44 anos a Igreja com o Concílio Vaticano II, deu um grande passo na história da humanidade, o “novo pentecostes” acontecia, “e já era hora, urgia mesmo essa desejada renovação”. A Igreja aspirando novos ares sob a ação do Espírito Santo, deseja aproximar-se pelas ações litúrgicas do seu povo, deseja “prestar a Deus, um culto perfeito”(SC4).

E quem ganha com isso?

Os seus membros. É claro! Estes constituem a Assembléia Litúrgica, são em Cristo, o sujeito da celebração. Assembléia é o local onde Deus se manifesta, é um local onde se estabelecem relações, é a diversidade em busca da igualdade, nela se expressa a unidade na diversidade de raças, idades, sexo, formação cultural, enfim, não se trata de um amontoado de pessoas.

A assembléia torna-se uma expressão da Trindade, pois somos convocados pelo Pai, formamos o Corpo de Cristo guiados pelo Espírito Santo.

Esta assembléia, sujeito da celebração, é um povo sacerdotal, profético e régio, ou seja, expressam e exercem visivelmente o múnus sacerdotal de Cristo.

Como é gostoso sentir-se parte integrante, como é bom nesta Assembléia poder manifestar os nossos sentimentos, expressar nossos louvores. Deus se alegra ao ver seu povo reunido em Assembléia, é uma comunidade que se fortalece a partir da Nova Aliança estabelecida em Jesus Cristo.

Que possamos cada vez mais tomar esta consciência de povo sacerdotal, profético e rei, associados a Cristo, o único mediador, para assim cada vez mais, sentir-nos santificados por Deus e com Cristo glorificá-lo.