O cristão do século XXI e a importância da transmissão da fé, principalmente, pelo testemunho

Lançando um olhar circunspectivo o que constatamos? Em nível internacional, constatamos uma crescente agressividade anticristã, a partir de instituições como a ONU, UNESCO e congêneres. Na Europa e em outros países do primeiro mundo, uma postura fortemente hedonista e secularizante. Vendem-se Igrejas, porque faltam frequentadores. Em não poucos países muçulmanos há uma indisfarçável agressão aos cristãos, e o crescimento islâmico, mesmo que mais por instinto procriativo – quer nos parecer – que por zelo missionário, nos faz refletir.

Nos países Latino-Americanos, em geral, e no Brasil, mais concretamente, há um sensível oportunismo, pouco evangélico, das denominações religiosas e de seus adeptos (pentecostais e neopentecostais, mais especificamente). Ademais, como crescem seus pastores. A capacidade evangelizadora da Igreja, mesmo tendo melhorado, não acompanha nossas necessidades sempre mais prementes. Constatamos lacunas em nosso agir pastoral e, por isso, foram apresentadas as urgências do plano (2011-2015 – da CNBB), como resposta pastoral. Sem deixar de louvar sua necessidade – elas precisam ser ainda melhor assumidas por todos.

Nossas paróquias, como instituições, não foram ainda superadas, mas precisam de mais oxigenação, dinamismo e renovação. A Palavra de Deus não é tão normativa em nossa homilética, nem em nossa ação pastoral, como seria de desejar. Há muito por fazer para que as paróquias se tornem a casa da Palavra (de Deus), do pão (Eucarístico) e da caridade. Então tornar-se-ão comunidade de comunidades.)
Não nos poderia Cristo acusar hoje, como o fez outrora, dizendo?: – “Eu estive drogado e não me socorrestes… eu estive no submundo dos vícios, e não me ajudastes a sair, eu estava com fome e sede de algo mais na vida e não me apresentastes Cristo, como solução. (cf. Mt 25.31ss)

Nossas análises sociopolíticas podem ser até corretas, e as sugestões pastorais apresentadas, oportunas. Mas a viabilização destas medidas é morosa e sem o devido dinamismo e entusiasmo. Somos, como católicos, no Brasil, ainda hegemônicos, em termos quantitativos, mas deficientes em termos qualitativos ou pastorais.
Afirmamos sempre mais a necessidade do partir de Cristo. Mas, de que Cristo? Do Cristo integral, é claro: encarnado, sofredor, crucificado, morto e ressuscitado, com a devida acentuação neste último verbete. No entanto, por que sentimos anemia missionária? Falta-nos convicção.

Dos Apóstolos, diante da crise da Galiléia (cf. Jo 6.66 ss), Cristo exigiu uma definição – “Quem sou eu para vós?” Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”.. Muito bem, ouviu, ele. É isso mesmo. Mas, quando foi para enviá-los, definitivamente, perguntou a Pedro: “Tu me amas mais que?? Perguntou bem três vezes.. “Tu sabes que te amo.. foi a resposta de Pedro. Apascenta, então, meus cordeiros, e minhas ovelhas”, ordenou, então, o Ressuscitado. E agora “segue-me” – acrescentou ainda. (cf. Jo 21.15 ss)

Somos seguidores de Cristo, ou apenas batizados e ordenados? O amamos mesmo? O que nós – eu – você – poderíamos responder a Jesus Cristo, se, hoje, por Ele fôssemos interrogados, como Pedro, aquela vez? É preciso partir de Cristo – nós o sabemos. Mas para Dele partir é preciso primeiro buscá-Lo e encontrá-Lo. Saulo foi alcançado por Cristo às portas de Damasco, mas ele se tornou Paulo, somente a partir da experiência do deserto (cf. Gl 1,11-18). Faltar-nos-ia então tal experiência? É ali que falhamos? Por que conseguimos fazer boas diretrizes pastorais, mas os resultados são, às vezes, pífios? Por quê? Cada um poderá responder até melhor do que eu. Basta ter coragem e sinceridade. Não afirmou Karl Rahner, que o cristão do futuro seria místico ou nem seria cristão? O que realmente então nos falta? O quê? Pensemos…
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Dom Carmo João Rhoden, scj
Bispo Diocesano de Taubaté