A Voz do Pastor: Maria no Concílio Vaticano II

No mês de maio, dedicado pela devoção popular a uma particular veneração de Nossa Senhora, é importante recordar o lugar que ela ocupa na exposição doutrinária do Concílio Vaticano II.

Para muitas pessoas talvez possa parecer que a Virgem Maria foi esquecida pelo Concílio.

A maioria dos católicos, lastimavelmente, jamais leu qualquer dos documentos tão ricos e importantes promulgados por aquela assembléia de Bispos do mundo inteiro, convocada pelo saudoso Pontífice João XXIII, há 50 anos passados.

Nossa Senhora foi objeto do importante capítulo VIIIº da Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja.

Este capítulo traz por título: “A Bem-aventu-rada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja”.

Pode-se dizer que este capítulo abre diante de nossos olhos e de nossos corações um magnífico tratado de Mariologia.

Quem o lê e medita toma conhecimento de tudo o que se deve saber, à luz da fé, sobre a Mãe de Deus.

Nossa Senhora – mostra-nos o Concílio – está intimamente relacionada com Cristo e com a Igreja. Por isso, também, intimamente elacionada com a nossa salvação.

Relacionada com Cristo, como nos lembra o Concílio: “Deus benigníssimo e sapientíssimo, que-rendo realizar a Redenção do mundo, “quando veio a plenitude dos tempos, enviou seu Filho, feito da mulher… para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gal 4, 4-5). Esta mulher é Maria, dita, por isso, “Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo.” (LG n. 53)

Relacionada também com a Igreja: “porque co-operou pela caridade para que na Igreja nascessem os filhos que são membros da Cabeça que é Cristo.” (LG n.54)

“Por isso, o Sacrossanto Sínodo, ao expor a doutrina sobre a Igreja, na qual o divino Redentor opera a salvação, quer esclarecer com empenho tanto a missão da Bem-aventurada Virgem Maria no mistério do Verbo Encarnado e do Corpo Místico, como os deveres dos homens remidos para com a Mãe de Deus, mãe de Cristo e mãe dos homens, mormente dos fiéis.”(LG n. 54)

Foi tudo isto – o essencial da doutrina sobre Nossa Senhora – que o Concílio Vaticano II expôs sobre Maria.

Uma visão panorâmica, ampla, profunda, que nenhum cristão católico (e oxalá também os cristãos separados) pode deixar de ler, no capítulo VIII da Constituição dog-mática Lumen Gentium.

O Concílio Vaticano II não podia deixar de expor a doutrina sobre a Mãe de Jesus. E a expôs com clareza, mostrando as suas relações com Cristo e a Igreja.

É muito importante que todos os católicos leiam, e principalmente os Sacerdotes, neste mês de maio, dedicado pela devoção popular a Nossa Senhora, o referido capítulo VIII de Lumen Gen-tium.

[author image=”http://diocesedetaubate.org.br/wp-content/uploads/2013/05/dom-antonio-afonso60x60.jpg” ]Dom Antonio Affonso de Miranda SDN é Bispo Emérito de Taubaté[/author]